Em nossa vida, constantemente
precisamos tomar decisões: se vamos a um passeio ou à Missa, se permanecemos
neste emprego ou buscamos outro, se usamos esta ou aquela roupa etc. Desde as
mínimas coisas até grandes decisões, como a resposta a determinada vocação, em
tudo devemos nos posicionar, fazer uma ‘cisão’, uma quebra, um rompimento com
algo para assumir outro.
A Santíssima Trindade, por ser uma comunidade de
amor, vive em perfeita harmonia nas decisões tomadas e assumidas. O Pai, com o
Espírito Santo, decidiu enviar o Filho. O Filho, naquele momento ‘sem momento’,
decidiu se apresentar ao Pai dizendo: eis-me aqui, envia-me, e sua aceitação
levou-o até o sim da cruz e o sim que se perpetua na Eucaristia em todos os
tempos. Jesus tomou decisões e nos ensina a fazê-lo. O Filho, junto com o Pai,
decidiu enviar o Espírito Santo para nos santificar. A Palavra de Deus já nos
alerta: Que o vosso sim seja sim e o vosso não seja não. Assim, o cristão se torna alguém que sabe o que quer
e busca ser conseqüente com o que assume. O amor, eixo em torno do qual gira
toda a vida humana e cristã, também é questão de decisão. Sou eu que escolho se
quero ou não amar, a quem quero amar e como será o meu amor.
Escutamos histórias verdadeiramente
dramáticas, mas é onde percebo, no meio de tanto sofrimento e ingratidão a
dedicação e um amor total e incondicional de algumas pessoas. Quantas esposas que
acolhem e aceitam seus esposos ingratos, alcoólatras, infiéis, agressivos e os amam
a ponto de conseguirem de Deus sua conversão e libertação! Por outro lado,
também quantos esposos abandonados, traídos e humilhados por suas esposas, mas
que continuam fiéis a um sim pronunciado um dia! Quantos pais que insistem em
amar seu filho que só traz desgosto e sofrimento!... E cobrem tudo com o amor,
defendendo a pessoa amada com unhas e dentes. São pessoas que simplesmente
decidiram amar. E muitos milagres acontecem como conseqüência deste amor.
Quando amo devo agir com a consciência de
estar fazendo uma opção de vida. Não estou vivendo um sentimento que irá
trazer-me apenas prazer ou alegria. Irei assumir toda a pessoa, com seus
limites, seus defeitos, suas quedas, seus fracassos, mas também suas vitórias e
triunfos. Aliás, é na hora da desgraça que se prova o verdadeiro amor. Penso que muitos relacionamentos inclusive no
matrimônio não se aprofundam nem perseveram por falta desta decisão de amar até
o fim, para além dos sentimentos. Deus nos ama assim. Ele é fiel porque se
decidiu a estar conosco sempre e nos ama em todo tempo, na alegria e na
tristeza, na saúde e na doença, sempre! Quando Jesus decidiu ser amor entre
nós, assumindo nossa humanidade e nos ensinando a ser humanos, todas as
conseqüências foram assumidas juntamente, inclusive a cruz e a morte.
Amar é
dar a vida, e dar a vida não é sentimento, é ato de decisão. Quando amo alguém
estou vivendo este mistério que Jesus vive na Eucaristia a cada momento. Ele
está ali, no sacrário e em quem o recebe, independentemente da forma como é acolhido
e venerado. É o mesmo para aquele que o ama intensamente como para aquele que o
recebe com indiferença, em pecado ou para aquele que nem o quer receber. Ele
continua o mesmo Amor que se dá na pura gratuidade. E este amor gratuito é que
nos constrange a pagar amor com amor e a mudar nossas vidas.
Santa Teresa de Ávila, em seu livro Castelo
Interior ou Moradas, descrevendo o itinerário espiritual da pessoa que se
entrega à oração, diz várias vezes como se sentia pequena e como que ‘esmagada’
diante de tudo que Deus lhe fazia, de todas as graças que recebia do Senhor.
Amor gera amor, dizia ela em outro lugar e era firme na formação das carmelitas
descalças para serem pessoas decididas, pessoas de determinada determinação, na
linguagem teresiana. Quando a pessoa que Deus coloca em nossa vida para que a
amemos não nos agrada, quando temos de enfrentar lutas de nossa natureza,
quando o outro se torna um peso, ou ele tem o dom de desagradar-me em tudo. Para Santa Teresinha o sim, era uma excelente
oportunidade para viver o verdadeiro amor, o amor gratuito que Jesus me pede e
ensina.
Seja nosso amor para com cada pessoa este ato
de decisão que nos leve a perseverar até o fim, ou seja, até a consumação de
nossa vida no céu, onde tudo será amor, pois na tarde da vida seremos julgados
pelo amor (São João da Cruz).
Pesquisa: Senna e Carmelo
de Passos – MG
Paz e Bem!
Senna / Faber Frota
Departamento de Comunicação
Ministério Universidades Renovadas
São José dos Campos - São Paulo
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